Sequências Alu em genomas de primatas: evidências de descendência comum ou design comum?
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Hipotético gráfico de comparação genômica (Imagem gerada por IA - acervo de Lexica) |
por Fazale Rana
22 de março de 2011
Se alguém tivesse uma hora para convencer uma plateia de pastores de que humanos e chimpanzés evoluíram de um ancestral comum, que evidência ele ou ela citaria?
No outono passado, tive a oportunidade de testemunhar essa mesma apresentação.
Eu fui um dos palestrantes plenários no Vibrant Dance of Faith and Science Symposium. Esta conferência foi projetada para promover um diálogo informado e não confrontacional entre defensores das diferentes perspectivas cristãs ao longo do espectro criação-evolução (como design inteligente, criacionismo progressivo e criacionismo evolucionário).
Durante a sessão plenária do dia de abertura, o biólogo Darrel Falk, presidente da BioLogos Foundation, apresentou um caso para o criacionismo evolucionário (anteriormente conhecido como evolução teísta). Especificamente, o Dr. Falk argumentou que humanos e chimpanzés devem ter evoluído de um ancestral comum por causa das sequências Alu encontradas nos genomas humanos e de chimpanzés.
Sequências Alu e o Caso da Evolução Biológica
As sequências Alu são sequências altamente repetitivas de DNA com cerca de 300 letras genéticas (pares de base, pb) de comprimento e pertencem a uma classe de DNA conhecida como SINEs (short interspersed nuclear elements ou elementos nucleares intercalados curtos, em português). As sequências Alu são exclusivas dos primatas. Há mais de 1 milhão de elementos Alu no genoma humano, constituindo aproximadamente 11% do material genético. Biólogos evolucionistas, como Falk, apontam que humanos e chimpanzés compartilham um grande número de sequências Alu em comum, com sequências idênticas (ou quase idênticas) que ocorrem em locais correspondentes em ambos os genomas.
Os biólogos evolucionistas há muito tempo pensam nas sequências Alu como DNA lixo. Para os evolucionistas, isso indica claramente que esses organismos compartilhavam um ancestral comum. Eles acreditam que os elementos Alu compartilhados surgiram antes do tempo em que humanos e chimpanzés divergiram de seu ancestral evolucionário compartilhado. Isso levou os evolucionistas a perguntar por que um Criador, se existisse, introduziria propositalmente DNA lixo não funcional no local exato nos genomas de humanos e chimpanzés.
As Sequências Alu Têm Função
Nos últimos anos, pesquisadores descobriram que as sequências SINE têm função. (Veja meus livros Who Was Adam?* [Quem Foi Adão?] e The Cell’s Design [O design da célula] para uma discussão mais ampla sobre a importância funcional das sequências SINE.)
Pesquisadores da Universidade de Rochester descobriram recentemente que as sequências Alu, em particular, previnem a superprodução de proteínas ao quebrar o RNA mensageiro. [1]
Uma vez produzidas, as moléculas de RNA mensageiro (mRNA) direcionam a produção de proteínas. Se não forem controladas, o mRNA continuará produzindo proteínas além das quantidades necessárias exigidas pela célula. Uma estratégia que as células usam para evitar a superprodução de proteínas é quebrar as moléculas de mRNA depois que elas produzem a quantidade apropriada de proteínas. Como se vê, as sequências Alu desempenham um papel na degradação do mRNA ao trabalhar com moléculas longas de RNA não codificante (lncRNA), também antes consideradas lixo inútil.
Algumas moléculas de mRNA possuem sequências Alu perto de uma das extremidades da molécula. Essas sequências Alu podem parear com sequências Alu em lncRNAs para formar um duplex com as duas moléculas de RNA. Esse duplex é alvo de uma proteína chamada STAU1, que se liga aos duplexes de RNA e os destrói. Como consequência dessa destruição, a produção de proteínas é mantida em equilíbrio.
Descobertas como essa minam o caso da descendência comum e da evolução humana feita por criacionistas evolucionistas como Falk. O fato de sequências Alu terem função significa que sua presença em genomas de primatas pode ser razoavelmente explicada como o trabalho de um Criador. Isso também significa que sequências Alu idênticas, que aparecem em locais correspondentes nos genomas humano e de chimpanzé, podem ser entendidas como o uso de um design comum por um Criador.
Pesquisadores estão descobrindo mais e mais exemplos da importância funcional do DNA lixo. À luz desse avanço contínuo, está se tornando cada vez mais difícil sustentar que os genomas estão cheios de vestígios inúteis do processo evolutivo. Em vez disso, está se tornando cada vez mais aparente que os genomas são sistemas elegantes e sofisticados, dignos de um Criador.
22 de março de 2011
Se alguém tivesse uma hora para convencer uma plateia de pastores de que humanos e chimpanzés evoluíram de um ancestral comum, que evidência ele ou ela citaria?
No outono passado, tive a oportunidade de testemunhar essa mesma apresentação.
Eu fui um dos palestrantes plenários no Vibrant Dance of Faith and Science Symposium. Esta conferência foi projetada para promover um diálogo informado e não confrontacional entre defensores das diferentes perspectivas cristãs ao longo do espectro criação-evolução (como design inteligente, criacionismo progressivo e criacionismo evolucionário).
Durante a sessão plenária do dia de abertura, o biólogo Darrel Falk, presidente da BioLogos Foundation, apresentou um caso para o criacionismo evolucionário (anteriormente conhecido como evolução teísta). Especificamente, o Dr. Falk argumentou que humanos e chimpanzés devem ter evoluído de um ancestral comum por causa das sequências Alu encontradas nos genomas humanos e de chimpanzés.
Sequências Alu e o Caso da Evolução Biológica
As sequências Alu são sequências altamente repetitivas de DNA com cerca de 300 letras genéticas (pares de base, pb) de comprimento e pertencem a uma classe de DNA conhecida como SINEs (short interspersed nuclear elements ou elementos nucleares intercalados curtos, em português). As sequências Alu são exclusivas dos primatas. Há mais de 1 milhão de elementos Alu no genoma humano, constituindo aproximadamente 11% do material genético. Biólogos evolucionistas, como Falk, apontam que humanos e chimpanzés compartilham um grande número de sequências Alu em comum, com sequências idênticas (ou quase idênticas) que ocorrem em locais correspondentes em ambos os genomas.
Os biólogos evolucionistas há muito tempo pensam nas sequências Alu como DNA lixo. Para os evolucionistas, isso indica claramente que esses organismos compartilhavam um ancestral comum. Eles acreditam que os elementos Alu compartilhados surgiram antes do tempo em que humanos e chimpanzés divergiram de seu ancestral evolucionário compartilhado. Isso levou os evolucionistas a perguntar por que um Criador, se existisse, introduziria propositalmente DNA lixo não funcional no local exato nos genomas de humanos e chimpanzés.
As Sequências Alu Têm Função
Nos últimos anos, pesquisadores descobriram que as sequências SINE têm função. (Veja meus livros Who Was Adam?* [Quem Foi Adão?] e The Cell’s Design [O design da célula] para uma discussão mais ampla sobre a importância funcional das sequências SINE.)
Pesquisadores da Universidade de Rochester descobriram recentemente que as sequências Alu, em particular, previnem a superprodução de proteínas ao quebrar o RNA mensageiro. [1]
Uma vez produzidas, as moléculas de RNA mensageiro (mRNA) direcionam a produção de proteínas. Se não forem controladas, o mRNA continuará produzindo proteínas além das quantidades necessárias exigidas pela célula. Uma estratégia que as células usam para evitar a superprodução de proteínas é quebrar as moléculas de mRNA depois que elas produzem a quantidade apropriada de proteínas. Como se vê, as sequências Alu desempenham um papel na degradação do mRNA ao trabalhar com moléculas longas de RNA não codificante (lncRNA), também antes consideradas lixo inútil.
Algumas moléculas de mRNA possuem sequências Alu perto de uma das extremidades da molécula. Essas sequências Alu podem parear com sequências Alu em lncRNAs para formar um duplex com as duas moléculas de RNA. Esse duplex é alvo de uma proteína chamada STAU1, que se liga aos duplexes de RNA e os destrói. Como consequência dessa destruição, a produção de proteínas é mantida em equilíbrio.
Descobertas como essa minam o caso da descendência comum e da evolução humana feita por criacionistas evolucionistas como Falk. O fato de sequências Alu terem função significa que sua presença em genomas de primatas pode ser razoavelmente explicada como o trabalho de um Criador. Isso também significa que sequências Alu idênticas, que aparecem em locais correspondentes nos genomas humano e de chimpanzé, podem ser entendidas como o uso de um design comum por um Criador.
Pesquisadores estão descobrindo mais e mais exemplos da importância funcional do DNA lixo. À luz desse avanço contínuo, está se tornando cada vez mais difícil sustentar que os genomas estão cheios de vestígios inúteis do processo evolutivo. Em vez disso, está se tornando cada vez mais aparente que os genomas são sistemas elegantes e sofisticados, dignos de um Criador.
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* Há um white paper com esse mesmo título, em que Fazale Rana faz uma crítica ao livro In Quest of the Historical Adam: A Biblical and Scientific Exploration (Em busca do Adão histórico: Uma exploração bíblica e científica) de William Lane Craig, e que encontra-se traduzido e publicado aqui no blog no formato e-book.
Etiquetas:
código genético - genética - argumento do relojoeiro - criacionismo (progressivo) da Terra velha
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