quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Nature admite que cientistas suprimem críticas ao neodawinismo para evitar dar suporte ao design inteligente

 
[Atualizado em 20/jan/2015]
 
 
Textos entre colchetes "[ ]" foram introduzidos por mim. Palavras ou expressões em itálico são aquelas as quais suspeito não ter conseguido fazer a melhor tradução possível.
 
 
 
Nature admite que cientistas suprimem críticas ao neodawinismo para evitar dar suporte ao design inteligente
Casey Luskin, 8 de outubro de 2014, 9:01 PM
 
Se você pensa que o design inteligente não está causando impacto na biologia evolutiva, pense de novo. A última edição da [revista] Nature tem um ponto e contraponto sobre a questão “A teoria evolutiva necessita ser repensada?” Respondendo “Sim, urgentemente” estão Kevin Laland (professor de biologia evolucionária e comportamental da Universidade de St. Andrews), Tobias Uller, Marc Feldman, Kim Sterelny, Gerd B. Müller, Armim Moczek, Eva Jablonka and John Odling-Smee – alguns dos quais foram membros da infame “Altenberg 16”. Naquele contexto, eles começaram a conceber o que eles chamam a Síntese Evolutiva Ampliada (SEA), a qual é essencialmente uma nova síntese evolutiva que rejeita alguns dos princípios centrais do neodarwinismo (como a visão de que a seleção natural é a força dominante guiando a evolução, ou a visão de que existe uma “árvore da vida”). Seus artigos contêm uma confissão impressionantemente franca: alguns cientistas evitam fazer críticas à evolução neodarwinista para não dar a aparência de estarem apoiando o DI:
O número de biólogos pedindo por mudanças na forma como a evolução é conceituada está crescendo rapidamente. Forte apoio vem de disciplinas aliadas, particularmente da biologia do desenvolvimento, mas também da genética, epigenética, ecologia e da ciência social. Defendemos que a biologia evolutiva necessita revisão se é para se beneficiar plenamente destas outras disciplinas. Os dados que sustentam nossa posição tornam-se mais fortes a cada dia.
 
Entretanto, a mera menção da SEA frequentemente evoca uma reação emocional, até mesmo hostil, entre biólogos evolucionistas. Com bastante frequência, discussões vitais descambam para a grosseria, com acusações de confusão [no sentido de confundir] ou distorção. Talvez assombrados pelo espectro do design inteligente, biólogos evolucionistas desejam mostrar uma frente unida àqueles hostis à ciência. Alguns podem temer em receber menos financiamento e reconhecimento se intrusos – tais como fisiologistas e biólogos do desenvolvimento – entrarem em seu campo, área.
 
(Kevin Laland, Tobias Uller, Marc Feldman, Kim Sterelny, Gerd B. Müller, Armin Moczek, Eva Jablonka e John Odling-Smee, "Does evolutionary theory need a rethink? Yes, urgently [A teoria evolutiva necessita ser repensada? Sim, urgentemente]" Nature, Vol. 514:161-164 (9 de outubro de 2014) (ênfase adicionada).)
Já vimos este tipo de confissões antes (veja aqui uma curta discussão). Devemos ser encorajados pelas palavras desses cientistas? Ou nos sentirmos aborrecidos?
 
Por um lado, é um tanto perturbador ouvir que biólogos auto-censurariam seus pontos de vista simplesmente porque não gostam da alternativa distinta – o que eles rotulam como sendo “ciência hostil”. Isto mostra que o campo da biologia evolutiva está num estado incrivelmente doentio. Dogmatismo na evolução está impedindo o avanço científico. Se biólogos evolucionistas censuram eles mesmos, imagine o que fazem a outros cientistas que saem da linha e se recusam a participar da “frente unida”? A resposta está diante de seus olhos neste artigo: eles marginalizam dissidentes chamando-os de “ciência hostil”.
 
Por outro lado, é encorajador ouvir uma confissão de que muitos biólogos reconhecem que a síntese neodarwinista tem falhado em explicar os dados. Enquanto muitos desses biólogos ainda procuram concepções materialistas alternativas de evolução, e rejeitam o design inteligente, muitas das críticas que eles estão fazendo são similares àquelas feitas pelos proponentes do DI. Por exemplo, Laland et al. escrevem:
A teoria evolutiva padrão (TEP) mantém em grande parte os mesmos pressupostos da síntese moderna original, a qual continua a conduzir como as pessoas pensam sobre evolução.
 
A estória que a TEP conta é simples: nova variação surge através de mutação genética aleatória; herança ocorre através do DNA; e a seleção natural é a única causa de adaptação, o processo pelo qual organismos tornam-se bem adaptados aos seus ambientes. Neste ponto de vista, a complexidade do desenvolvimento biológico – as mudanças que ocorrem à medida que um organismo cresce e envelhece – são de importância secundária, até mesmo menor.
 
Em nosso ponto de vista, este foco 'gene-cêntrico' falha em apanhar a completa gama de processos que dirigem a evolução. Peças faltantes incluem a forma como o desenvolvimento físico influencia a geração de variação (viés de desenvolvimento); como o ambiente molda diretamente as feições dos organismos (plasticidade); como os organismos modificam o ambiente (construção de nicho); e como os organismos transmitem mais que genes através das gerações (herança extra-genética). Para a TEP estes fenômenos são apenas resultados de evolução. Para a SEA eles são também causas.
Proponentes do DI têm dito muitas dessas mesmas coisas – que após o ENCODE, a noção do gene mudou radicalmente, e a matemática que embasa a genética de populações da TEP pode não ser mais válida.
 
Proponentes do DI também chamam a atenção para que a descoberta de evolução convergente desenfreada em biologia desaparece em face das previsões do neodarwinismo, o qual alega que a evolução é baseada em variação aleatória não guiada. Do mesmo modo, Laland et al. apontam que “variação não é [algo] aleatório”.
 
Agora os mesmos Laland et al. se retêm em reconhecer uma das mais sérias críticas que muitos biólogos evolucionistas também estão fazendo – a de que a biologia evolutiva carece de uma teoria da geração. Mas temos visto este tipo de reconhecimento de outros proponentes da SEA. Por exemplo, quando a Nature pôs na capa a conferência “Altenberg 16”, em 2008, ela citou os principais cientistas dizendo coisas como:
  • “A origem das asas e a invasão da terra … são coisas que a teoria evolutiva nos contou pouco a respeito”.
  • “Você não pode negar a força da seleção na evolução genética … mas no meu ponto de vista isto são formas de estabilização e de ajuste fino que se originam devido a outros processos”.
  • “A síntese moderna é notavelmente boa em modelar a sobrevivência do mais apto, mas não é boa em modelar a chegada do mais apto”.
(Scott Gilbert, Stuart Newman e Graham Budd citados em John Whitfield, "Biological theory: Postmodern evolution?" Nature, 455: 281-284 (17 de setembro de 2008).)
 
Teria sido muito bom ler tais confissões sérias no artigo de Laland et al., mas isto teria dado crédito ao design inteligente. Melhor se auto-censurar, certo?
 
 
 
 
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Evolucionismo - teorias científicas em biologia evolutiva/evolucionária
 
 
 
 

sábado, 4 de outubro de 2014

Livro: Mind and Cosmos

 
 
 
Mind and Cosmos: Why the Materialist Neo-Darwinian Conception of Nature Is Almost Certainly False [Mente e Cosmos: Porque a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase que certamente falsa] é um livro do filósofo Thomas Nagel o qual descobri nessa página do Evolution News e fiquei com vontade de ler. Ele está disponível em formato digital para compra na loja Amazon brasileira (veja aqui).
 
Abaixo segue o texto de descrição do livro que está lá na página dele no site da Amazon.
 
 
Descrição do produto:
 
A explicação materialista moderna para a vida tem falhado notavelmente em explicar os aspectos centrais relacionados à mente, tais como, consciência, intencionalidade, significado e valor. Esta falha em levar em conta algo tão essencial à natureza como a mente, argumenta o filósofo Thomas Nagel, é um problema grave, ameaçando desvendar toda a visão de mundo naturalista, estendendo-se à biologia, teoria evolucionária e cosmologia. Uma vez que mentes são aspectos de sistemas biológicos que se desenvolveram através de evolução, a versão padrão materialista de biologia evolucionária é fundamentalmente incompleta. E a história cosmológica que levou à origem da vida e a vinda à existência das condições para a evolução não podem ambas ser meramente história materialista. Uma concepção adequada da natureza teria de explicar o aparecimento, no universo, de mentes conscientes materialmente irredutíveis, como tais.
 
O ceticismo de Nagel não é baseado em crença religiosa ou em qualquer alternativa definida. Em Mind and Cosmos ele até sugere que se a conta materialista está errada, então princípios de um tipo diferente podem também estar trabalhando na história da natureza, princípios de crescimento de ordem que são, em sua forma lógica, mais propriamente teleológicos que mecanísticos.
 
Apesar dos grandes avanços das ciências físicas, o materialismo reducionista é uma cosmovisão pronta para ser destituída. Nagel mostra que reconhecer seus limites é o primeiro passo na busca por alternativas ou, pelo menos, na abertura à sua possibilidade.
 
 
Obs.: o texto original se revelou a mim meio difícil de compreender e traduzir em alguns pontos. Em razão disso, você pode achar algumas orações um tanto desconexas, truncadas, mas é consequência da redação do original.
 
 
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