Mais um indício da providência cósmica


Via Láctea (arte conceitual) (Imagem de NASA/JPL-Caltech)
Via Láctea (arte conceitual). O ponto vermelho indica a localização do Sistema Solar. (Imagem de NASA/JPL-Caltech - Veja a imagem com textos explicativos, em inglês, aqui e aqui.)


por Hugh Ross
18 de dezembro de 2023

Uma abundância de evidências científicas e anedóticas sugere que a ansiedade está aumentando, globalmente e rapidamente, entre pessoas de todas as faixas etárias, especialmente entre os jovens. Em meio a uma série de fatores contribuintes, surge este comentário amplamente divulgado do renomado astrofísico Neil deGrasse Tyson: “O universo é um lugar mortal. A cada oportunidade, ele tenta nos matar”. [1] Embora algumas descobertas possam sugerir que o universo é ainda mais perigoso do que se pensava anteriormente, os astrônomos também observam — como já relatei diversas vezes — um acúmulo de evidências de que a Terra reside em uma rara, provavelmente única, “zona segura” cósmica, providenciada pelo nosso Criador.

Como você deve saber pelos livros didáticos ou por meus escritos anteriores, o universo está repleto de objetos que emitem radiação mortal. Alguns exemplos incluem estrelas variáveis ​​cataclísmicas, novas, supernovas, pulsares, remanescentes de supernova, buracos negros e explosões de raios gama. Você já deve ter ouvido falar que vários asteroides podem estar em rota de colisão com o planeta Terra. Agora, uma equipe de 52 astrônomos de dez países, liderada por Matt Nicholl, da Queens University, em Belfast, descobriu mais um risco para a vida complexa: os “transientes extremamente luminosos de resfriamento rápido”, ou, para os fins deste artigo, ELFCTs (em inglês, ou TELRRs, em português). [2] (Os astrônomos ainda não definiram um nome oficial para esses objetos/eventos mortais recém-descobertos.)

Ao utilizar o instrumento ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Survey), a equipe de Nicholl detectou três desses fenômenos “transitórios”. O ATLAS, diferentemente da maioria dos telescópios de levantamento de supernovas, foi projetado especificamente para detectar fenômenos astronômicos de rápida evolução em escalas de tempo de dias, em comparação com semanas ou meses. Os três eventos observados ocorreram em galáxias elípticas massivas onde a formação estelar cessou há muito tempo, galáxias “passivas”. Em termos de orientação espacial, esses eventos ocorreram entre 13.000 e 32.000 anos-luz do centro de suas galáxias.

Nos três eventos, o pico de luminosidade no comprimento de onda óptico atingiu um nível 16 vezes maior que o pico de luminosidade de uma supernova do tipo Ia (os objetos estelares opticamente mais brilhantes observados anteriormente), e, no entanto, seus níveis de emissão de rádio e raios-X foram indetectáveis. Seu brilho aumentou de indetectável para o pico de luminosidade em apenas 9 dias e, em seguida, diminuiu por um fator de 6 em 15 dias.

Não Eram Supernovas

À primeira vista, esses eventos pareciam ser uma nova categoria de supernovas. Entretanto, a equipe de 52 astrônomos descartou rapidamente essa possibilidade. Primeiro, eles observaram que nenhum modelo de supernova concebível explicaria o rápido aumento e queda na luminosidade óptica observados nesses eventos. Segundo, nenhum modelo de supernova concebível explicaria a ausência de radiação de rádio e raios-X detectável nesses eventos.

Além disso, as supernovas do tipo Ia exibem luminosidades de pico consistentes e uniformes; tempos de ascensão e declínio consistentes e uniformes; e distribuições espectrais consistentes e uniformes em suas emissões de radiação. As características observadas para todos os três eventos não correspondem, de forma alguma, a nenhuma dessas características.

Como já foi mencionado, as galáxias hospedeiras dos três eventos são todas passivas. Elas cessaram a formação estelar centenas de milhões ou até bilhões de anos antes do tempo de retrocesso — o tempo que a luz das galáxias onde os três eventos ocorreram levou para chegar aos telescópios dos astrônomos. Estrelas massivas o suficiente para se tornarem supernovas passam por formação estelar, queima nuclear e erupção de supernova em menos de alguns milhões de anos.

Encontro com Buraco Negro

A equipe então considerou e analisou outras seis possíveis explicações para os TELRRs que haviam observado. Seu trabalho demonstrou que a única explicação viável seria um encontro gravitacional próximo (ou fusão) entre uma estrela de massa relativamente baixa e um buraco negro de massa estelar (com massa igual a algumas vezes a massa da nossa estrela, o Sol) ou um buraco negro de massa intermediária (com massa de várias centenas a vários milhares de vezes a massa do Sol).

Buracos negros de massa intermediária foram encontrados, tipicamente, no núcleo de aglomerados globulares (ver Figura 1). [3] Telescópios de ondas gravitacionais também detectaram a existência de buracos negros de massa estelar. [4] A equipe concluiu que os três TELRRs que observaram poderiam ser mais bem explicados como encontros entre estrelas de baixa massa e buracos negros de massa estelar.


M2, um aglomerado globular a 37.000 anos-luz de distância (Imagem de NASA/ESA/Telescópio Espacial Hubble/STScI via Reasons to Believe)
Figura 1: M2, um aglomerado globular a 37.000 anos-luz de distância.
M2 contém mais de 150.000 estrelas. (Imagem de NASA/ESA/Telescópio Espacial Hubble/STScI via Reasons to Believe)


Além disso, a equipe forneceu uma estimativa provisória da frequência com que eventos TELRR provavelmente ocorrerão no universo. Esse número: um evento desse tipo por gigaparsec cúbico por ano. (Um gigaparsec = 3,26 milhões de anos-luz.) Essa taxa de ocorrência é cerca de 100.000 vezes menor que a taxa de colapso do núcleo de supernovas. A equipe encerrou seu artigo lembrando que todas as conclusões tiradas de sua descoberta devem ser consideradas provisórias. Eles enfatizaram a necessidade de futuras observações e programas de levantamento para elucidar tanto a natureza quanto a ocorrência dos TELRRs. Mesmo assim, suas observações iniciais deixam claro que eventos transitórios extremamente luminosos e de resfriamento rápido ocorrerão quase exclusivamente em aglomerados estelares e galáxias onde tanto a densidade quanto o número de estrelas são altos, mais especificamente, em grandes e densos aglomerados globulares e em grandes e densas galáxias elípticas/esféricas (ver Figura 2).


Galáxia elíptica ESO 325-G004 (Imagem de NASA/ESA/Hubble Heritage Team/STScI/AURA via Reasons to Believe)
Figura 2: ESO 325-G004, uma galáxia elíptica a 450 milhões de anos-luz de distância. 
A ESO 325-G004 contém vários milhares de aglomerados globulares. (Imagem de NASA/ESA/Hubble Heritage Team/STScI/AURA via Reasons to Believe)


Significância do Design

Com base na avaliação da equipe sobre sua notável descoberta, a Terra reside em uma localização bem protegida dos perigos dos TELRRs. A galáxia da Via Láctea (GVL) possui a menor proporção conhecida de massa estelar em relação à massa total de qualquer grande galáxia espiral conhecida. Sua proporção de massa estelar em relação à massa total é apenas metade da Galáxia de Andrômeda. Nossa galáxia também possui um número baixo de aglomerados globulares em comparação com outras grandes galáxias, um total de apenas 152 em comparação com vários milhares.

Nosso sistema solar está localizado a 26.000 anos-luz do centro galáctico, onde a densidade estelar é máxima. Em outras palavras, nosso sistema solar existe no que é considerado uma região de “baixa densidade” da GVL. Portanto, no contexto do risco TELRR, a Terra parece estar localizada no local mais seguro dentro da galáxia mais segura onde a vida avançada pode, de fato, existir.

De fato, a GVL pertence a um grupo de galáxias no qual não existem galáxias gigantes ou grandes galáxias esféricas/elipsoidais. Os grupos de galáxias nas proximidades do grupo da GVL são todos relativamente pequenos e desprovidos de galáxias gigantes. Os aglomerados de galáxias mais próximos são os de Virgem, Centauro, Hidra, Pavo e Fornax. Desses aglomerados, apenas Virgem e Centauro contêm mais do que algumas galáxias gigantes elipsoidais/esferoidais. Dado que as galáxias gigantes elipsoidais/esferoidais nos aglomerados de Virgem e Centauro estão a mais de 50 milhões de anos-luz de distância, elas representam pouco ou nenhum risco de radiação de fundo para a vida avançada na Terra.

A descoberta dos TELRRs representa mais um fator que limita a possível existência de vida avançada em outras regiões do universo além da Terra. A existência de um espaço seguro em meio aos inúmeros perigos identificados por astrofísicos, incluindo Neil deGrasse Tyson, sugere-me o planejamento cuidadoso de um Criador pessoal e com propósito, mais especificamente, o Deus da Bíblia.

Notas de Fim

  1. “Neil deGrasse Tyson (flagrado em vídeo): The Universe Is Trying to Kill You”, É trecho de entrevista que ficou de fora., Big Think Mentor (27 de junho de 2013), bigthink.com/big-think-mentor/neil-deGrasse-Tyson-caught-on-camera-the-universe-is-trying-to-kill-you.
  2. M. Nicholl et al., “AT 2022aedm and a New Class of Luminous, Fast-Cooling Transients in Elliptical Galaxies”, Astrophysical Journal Letters 954, n.º 1 (1º de setembro de 2023): L28, doi:10.3847/2041-8213/acf0ba.
  3. Manuel Arca Sedda et al., “The DRAGON-II Simulations – II. Formation Mechanisms, Mass, and Spin of Intermediate-Mass Black Holes in Star Clusters with Up to 1 Million Stars”, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 526, n.º 1 (novembro de 2023): 429–442, doi:10.1093/mnras/stad2292.
  4. The LIGO Scientific Collaboration, the Virgo Collaboration, and the KAGRA Collaboration, “GETC-3: Compact Binary Coalescences Observed by LIGO and Virgo during the Second Part of the Third Observing Run”, a ser publicado em Physical Review X (23 de outubro de 2023), arXiv:2111.03606.



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Etiquetas:
astronomia - zonas habitáveis - criacionismo (progressivo) da Terra velha


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