Cientistas afirmam que o universo é velho só para salvar e evolucionismo?


Criacionista da Terra jovem debatendo com uma cosmóloga (Imagem gerada por IA em Google Labs FX - Flow)
Criacionista da Terra jovem debatendo com uma cosmóloga (Imagem gerada por IA em Google Labs FX - Flow)


por Hugh Ross
5 de agosto de 2026

Pergunta: A verdadeira razão pela qual a maioria dos cientistas rejeita uma idade de 10.000 anos ou menos para o universo — alegando, em vez disso, que ele tem bilhões de anos — não seria a tentativa de salvar a teoria da evolução de Darwin?

Resposta: Na primeira metade do século XX, houve um debate entre astrônomos sobre se o universo era jovem ou antigo. De um lado, estavam astrônomos que afirmavam que o universo tinha quatrilhões de anos ou era infinitamente antigo; a maioria deles era motivada pelo desejo de salvar a evolução darwiniana. Do outro lado, estavam astrônomos que diziam que o universo tinha apenas alguns bilhões de anos; a maioria deles reconhecia que alguns bilhões de anos representavam um período de tempo totalmente insuficiente para salvar a evolução darwiniana. Na segunda metade do século XX, observações astronômicas comprovaram que os astrônomos defensores de um universo jovem estavam certos. O universo é jovem. Ele tem apenas 13,8 bilhões de anos e, sim, isso é um golpe fatal contra a evolução darwiniana e os modelos naturalistas de origem da vida. No entanto, a principal razão pela qual os astrônomos hoje afirmam que o universo tem 13,8 bilhões de anos deve-se às evidências observacionais e científicas avassaladoras que estabelecem essa idade, bem como à total ausência de qualquer evidência empírica que sugira uma idade inferior a um milhão de anos.


Comentário feito por um seguidor, na mesma postagem:

Acredito que o Dr. Gerald Schroeder está no caminho certo com seu argumento sobre a "dilatação do tempo". O tempo depende do observador. Bilhões de anos sob a nossa perspectiva podem corresponder, possivelmente, ao final do sexto dia para Deus.

Acredito que o senhor esteja familiarizado com isso, Dr. Ross.

Resposta de Ross ao comentário:

Estou familiarizado com o assunto e proferi uma palestra para a nossa comunidade acadêmica sobre o argumento de Schroeder a respeito da dilatação temporal e como esse fenômeno, observado em galáxias distantes e quasares, fornece uma idade inequívoca para o universo, com base na teoria da relatividade restrita (comprovada observacionalmente). A gravação em vídeo da palestra ainda não foi disponibilizada, mas apresento aqui um resumo por escrito da minha exposição: A Dilatação Temporal e Gênesis 1.

Um modelo interpretativo proposto por Gerald Schroeder e outros, com o objetivo de conciliar os modelos criacionistas da Terra Jovem e da Terra Antiga, pressupõe que os dias da criação em Gênesis 1 são seis períodos consecutivos de 24 horas, mas que o relato divino dos eventos da criação descritos nesse capítulo nos é apresentado a partir de um referencial relativístico sujeito à dilatação temporal. Se Deus nos conta a história da criação a partir de um referencial espaço-temporal no qual Ele se desloca em relação aos seres humanos na Terra a uma velocidade próxima à da luz, o que para nós representa a passagem de 144 horas poderia corresponder a vários bilhões de anos para Ele. Assim, argumenta-se que as cronologias de 13,8 bilhões de anos (universo), 4,6 bilhões de anos (Terra) e 3,8 bilhões de anos (vida na Terra) podem ser conciliadas com a interpretação dos dias da criação em Gênesis 1 como um período de apenas 144 horas.

Esse modelo é falho por pelo menos seis razões:

  1. Ao descrever os eventos da criação, Gênesis 1:2 situa Deus no mesmo referencial espaço-temporal dos seres humanos: a superfície das águas da Terra. Ou seja, o próprio texto de Gênesis 1 descarta uma interpretação baseada na dilatação temporal.
  2. Nenhuma interpretação de Gênesis 1 baseada na dilatação temporal consegue corresponder a todas as datas científicas estabelecidas para os eventos da criação descritos no capítulo.
  3. Os criacionistas da Terra Jovem afirmam que Deus criou a Terra antes de criar o Sol, as estrelas e as galáxias. Essa afirmação não pode ser conciliada com observações astronômicas em nenhum referencial espaço-temporal.
  4. A maioria dos criacionistas da Terra Jovem interpreta Gênesis 1:1 como um resumo de toda a história da criação e Gênesis 1:3 como uma descrição do início absoluto das obras criadoras de Deus. Ou seja, eles não reconhecem a ocorrência de nenhuma obra de criação antes do primeiro dia da criação descrito em Gênesis 1. Essa visão não pode ser conciliada com o registro científico estabelecido, independentemente do referencial espaço-temporal escolhido.
  5. Pelo menos os líderes das organizações criacionistas da Terra Jovem opõem-se firmemente a qualquer conciliação possível entre os textos bíblicos da criação e as datações científicas estabelecidas para a origem do universo, da Terra e da vida na Terra, ou para os registros históricos da geologia e da vida terrestre. Eles não querem conciliação. Eles querem mostrar a todos que os cientistas que acreditam em uma Terra antiga são inimigos de Deus e da Bíblia. Querem também demonstrar que tais cientistas estão profundamente equivocados em relação à sua ciência e que o pecado deles os impede de compreender a ciência corretamente.
  6. O criacionismo da Terra Jovem viola a doutrina da inerrância bíblica. Uma integração de todos os textos bíblicos sobre a criação — e não apenas os de Gênesis 1 —, quando interpretados de forma literal e consistente, exclui as visões da Terra Jovem. O criacionismo da Terra Jovem força diferentes textos bíblicos sobre a criação a entrarem em contradição uns com os outros, caso sejam interpretados literalmente.

A dilatação temporal, em um contexto diferente, fornece um teste confiável e definitivo para as interpretações bíblicas da criação. Tanto os criacionistas da Terra Jovem quanto os da Terra Antiga acreditam que tanto a Bíblia quanto a ciência afirmam que vivemos em um universo que vem se expandindo continuamente desde o evento da criação cósmica. Em um universo em expansão, objetos distantes parecem se afastar da Terra a velocidades proporcionais às suas distâncias ou à idade do universo. Essas velocidades provocam a dilatação temporal de fenômenos ocorridos em objetos distantes. Astrônomos observam que supernovas e explosões de raios gama distantes levam mais tempo para entrar em erupção, e quasares distantes exibem tempos médios de variação de luminosidade mais longos — em proporção às suas distâncias — do que supernovas, explosões de raios gama e quasares próximos. Os tempos mais longos medidos são consistentes com um universo de 13,8 bilhões de anos de idade.

Espectros de galáxias distantes obtidos em momentos diferentes fornecem um segundo teste definitivo de dilatação temporal. Oitenta anos de expansão cósmica representariam 0,08 por cento de toda a expansão cósmica em um universo de 10.000 anos, mas apenas 0,00000006 por cento de toda a expansão cósmica em um universo de 13,8 bilhões de anos. Os espectros de galáxias distantes obtidos pelos astrônomos permitem medir o desvio para o vermelho (redshift, em inglês) até a nona casa decimal. Foram realizadas determinações repetidas do desvio para o vermelho de certas galáxias distantes ao longo de períodos que variam de 10 a 80 anos. Se o universo tivesse menos de um milhão de anos, os astrônomos observariam facilmente diferenças nas medições do desvio para o vermelho de uma galáxia distante feitas em um intervalo de dez anos. Eles não observam tais diferenças. Esse fato serve como prova de que o universo tem mais de um bilhão de anos. 


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Etiquetas:
dúvida cristã - criacionismo (progressivo) da Terra velha - cosmologia - evolucionismo


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