Descoberta de telescópio chileno confirma modelo de criação do Big Bang


Fictício telecópio em algum lugar no Chile (Imagem gerada por IA em Google Labs FX - Flow)
Fictício telescópico em algum lugar deserto (Imagem gerada por IA em Google Labs FX - Flow)


por Hugh Ross
10 de agosto de 2020

Muitos cristãos afirmam que Deus nos deu dois “livros” nos quais Ele se revela: o livro das Escrituras e o livro da natureza. Quanto mais aprendemos com o livro da natureza, mais evidências descobrimos da confiabilidade e veracidade do livro das Escrituras. Dois artigos submetidos ao Journal of Cosmology and Astroparticle Physics por uma equipe internacional de 140 astrônomos fornecem um exemplo recente. [1] Os resultados desse considerável esforço de pesquisa trazem mais uma confirmação do modelo bíblico da criação cósmica do Big Bang.

Parâmetros do Big Bang na Bíblia

Milênios antes de os astrônomos descobrirem que o universo está em constante expansão desde um evento de criação cósmica ocorrido há um tempo finito, sete autores bíblicos diferentes descreveram as quatro características mais fundamentais do que hoje é conhecido como o modelo do Big Bang para o universo:

  1. O universo teve um início há um período de tempo finito, um início que incluiu a criação do espaço e do tempo.
  2. O universo está em expansão desde o momento em que começou a existir.
  3. As leis que governam o universo são imutáveis.
  4. Uma das leis que regem o universo é uma lei de decaimento onipresente, também conhecida como lei da entropia ou segunda lei da termodinâmica.

Os leitores interessados ​​encontrarão a base bíblica para essas quatro características em diversos lugares, incluindo este artigo online escrito pelo teólogo John Rea e por mim, e este artigo online que comenta o que teólogos que viveram há cerca de um milênio escreveram.

Rastreando o Evento da Criação

Os dois artigos, de autoria de 140 astrônomos, apresentam resultados de quatro anos de observações utilizando o Telescópio Cosmológico do Atacama (TCA). O TCA está localizado na região temperada mais seca da Terra, o Deserto do Atacama, no Chile, a uma altitude de 5.190 metros. A localização e a altitude foram escolhidas para minimizar a contaminação por vapor d'água (a precipitação média no local é inferior a 1 milímetro por ano), a maior barreira para observações em comprimentos de onda milimétricos. Os astrônomos projetaram o TCA para produzir mapas de alta resolução da radiação cósmica de fundo em micro-ondas (cosmic microwave background radiation, CMBR, em inglês), a radiação remanescente do evento da criação cósmica. Essa radiação é mais brilhante em comprimentos de onda milimétricos, daí a necessidade de um local extremamente seco. Quanto mais os astrônomos conseguirem aprender sobre a aparência dessa radiação remanescente, mais aprenderão sobre as características do início do universo.

Com um espelho primário de 6 metros de diâmetro, o TCA é o segundo maior telescópio (o Telescópio do Polo Sul, com missão semelhante, possui um espelho de 10 metros de diâmetro) projetado para mapear a radiação cósmica de fundo em micro-ondas (ver Figuras 1 e 2). O objetivo do TCA é mapear a radiação cósmica de fundo em micro-ondas com uma resolução de cerca de um minuto de arco e uma sensibilidade de temperatura de alguns milionésimos de grau Celsius.


Telescópio Cosmológico do Atacama com o Cerro Toco ao fundo. (Imagem de Ahinks, Wikipédia, Creative Commons Attribution, via Reasons to Believe)
Figura 1: Telescópio Cosmológico do Atacama com o Cerro Toco ao fundo. (Imagem de Ahinks, Wikipédia, Creative Commons Attribution, via Reasons to Believe)


Telescópio Cosmológico do Atacama (Imagem de M. Devlin, Universidade da Pensilvânia, imagem de domínio público via Reasons to Believe)
Figura 2: Telescópio Cosmológico do Atacama visto do topo da tela protetora externa. (Imagem de M. Devlin, Universidade da Pensilvânia, imagem de domínio público via Reasons to Believe)


Em 16 de julho de 2020, 140 astrônomos apresentaram mapas com resolução de arco-minuto da temperatura e anisotropia de polarização da radiação cósmica de fundo em micro-ondas, obtidos a partir de observações realizadas entre 2013 e 2016. Os mapas cobrem mais de 17.000 graus quadrados do céu. Para 600 graus quadrados dos mapas, a equipe alcançou uma sensibilidade de temperatura bem abaixo de 10 micrograus por arco-minuto.

Resultados Cosmológicos

Os mapas produziram os seguintes resultados cosmológicos em comparação com os resultados dos mapas da radiação cósmica de fundo em micro-ondas obtidos pelo satélite Planck. Observe que a idade do universo está em bilhões de anos; a taxa de expansão cósmica, também conhecida como Constante de Hubble, está em quilômetros por segundo por megaparsec, sabendo que 1 megaparsec = 3,26156 milhões de anos-luz; e os componentes da densidade cósmica são dados como frações da densidade cósmica total.


Tabela: Comparação de valores de parâmetros cosmológicos medidos pelo TCA e Planck
Tabela com comparação de valores de parâmetros cosmológicos medidos pelo TCA e Planck


Os astrônomos apreciam mapas como esses da radiação cósmica de fundo porque eles fornecem as restrições cosmológicas mais rigorosas de qualquer fonte de dados atual. Eles revelam o estado do universo apenas 380.000 anos depois — um instante, em tempo astronômico — do evento de criação cósmica.

Os pesquisadores comentam que “as medições do TCA e do Planck abrangem faixas de escalas angulares significativamente diferentes”. [5] Isso significa que os resultados consistentes são ainda mais impressionantes. O TCA oferece medições aprimoradas da polarização do modo E, que é uma representação geométrica do fluxo de ondas gravitacionais. Outro motivo de entusiasmo é que os pesquisadores atingiram um dos objetivos do TCA, que era realizar um segundo conjunto de medições, experimentalmente independente, de parâmetros cosmológicos importantes para modelos de criação cósmica baseados no estado do universo quando ele era muito jovem.

Implicações do Big Bang

A tabela acima mostra uma notável concordância entre as medições do TCA e do Planck. Os parâmetros cosmológicos derivados dos mapas do Planck foram todos consistentes com o modelo de criação do Big Bang ΛCDM {Lâmbda Cold Dark Matter), onde o ΛCDM implica que o universo é dominado principalmente por energia escura {Λ, a letra grega lâmbda} e secundariamente por matéria escura fria {cold dark matter, em inglês}. Os mapas do TCA fornecem uma segunda confirmação independente do modelo do Big Bang ΛCDM com base na radiação cósmica de fundo em micro-ondas (CMBR).

Quando os cientistas obtêm confirmações independentes, sabem que um modelo está ganhando força. No entanto, de acordo com a equipe internacional, muito mais confirmações estão por vir. A equipe está atualmente analisando quatro vezes mais dados de observações feitas entre 2017 e 2019. A partir de 2020, a equipe expandiu a faixa de comprimentos de onda em que fará observações. Até 2021, pela primeira vez para qualquer instrumento, as restrições cosmológicas que podem ser derivadas de medições de polarização se tornarão mais poderosas do que aquelas derivadas de medições de temperatura. Esse avanço fornecerá testes de consistência adicionais para os modelos de criação cósmica. Contudo, a equipe já apresentou resultados que demonstram que quanto mais aprendemos sobre o universo, mais evidências acumulamos para o que a Bíblia ensina sobre a origem e a história do universo.


Uma porção de um dos mapas da CMBR observada pelo Telescópio Cosmológico do Atacama. (Imagem de Colaboração do Telescópio Cosmológico do Atacama via Reasons to Believe)
Uma porção de um dos mapas da radiação cósmica de fundo em micro-ondas observada pelo Telescópio Cosmológico do Atacama. (Imagem de Colaboração do Telescópio Cosmológico do Atacama via Reasons to Believe)


Notas de Fim

  1. Simone Aiola et al., “The Atacama Cosmology Telescope: DR4 Maps and Cosmological Parameters”, 14 de julho de 2020 (pré-impressão), arXiv:2007.07288v1, https://arxiv.org/pdf/2007.07288.pdf; Steve K. Choi et al., “The Atacama Cosmology Telescope: A Measurement of the Cosmic Microwave Background Power Spectra at 98 and 150 GHz”, (14 de julho de 2020), arXiv:2007.07289v1, https://arxiv.org/pdf/2007.07289.pdf.
  2. Hugh Ross, The Creator and the Cosmos, 4ª ed. (Covina, CA: RTB Press, 2018), 25–31; Hugh Ross, A Matter of Days, 2ª ed. (Covina, CA: RTB Press, 2015), 135–44, https://support.reasons.org/purchase/a-matter-of-days.
  3. Hugh Ross e John Rea, “Big Bang — The Bible Taught It First!” Facts for Faith (3º trimestre 2000): 26–31, https://reasons.org/explore/publications/facts-for-faith/read/facts-for-faith/2000/07/01/big-bang-the-bible-taught-it-first-. {Publicado traduzido aqui no blog sob o título Big Bang — A Bíblia ensinou primeiro!}
  4. Hugh Ross, “Does the Bible Teach Big Bang Cosmology?” Today’s New Reason to Believe (blog), 26 de agosto de 2019, https://reasons.org/explore/blogs/todays-new-reason-to-believe/does-the-bible-teach-big-bang-cosmology. {Publicado traduzido aqui no blog sob o título A Bíblia ensina a cosmologia do Big Bang?}
  5. Aiola et al., “Atacama Cosmology Telescope”, 30.


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Etiquetas:
astronomia - astrofísica - cosmologia - teoria do Big Bang


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