quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Duas razões pelas quais o darwinismo sobrevive

 
Artigo do Evolution News and Views, com o título original ‘Two Reasons Darwinism Survives’, traduzido por mim.
 
Textos entre colchetes "[ ]" e alguns links foram introduzidos por mim.
 
 
Duas razões pelas quais o darwinismo sobrevive
Granville Sewell, 02 de fevereiro de 2014, 7:36 PM
 
Eu tenho sempre considerado a tentativa de Darwin de explicar todo o aparente e óbvio design/projeto na biologia, e mesmo a consciência humana e a inteligência, em termos da acumulação de acidentes úteis, como sendo a ideia mais estúpida já levada a sério pela ciência. Uma vez que as pesquisas científicas continuam a revelar as dimensões espantosas da complexidade da vida, especialmente ao nível microscópico, como tal teoria persiste?
 
Acredito que há duas principais razões pelas quais esta teoria extremamente implausível continua a gozar de tal popularidade tão difundida apesar da ausência de qualquer evidência direta de que a seleção natural possa contribuir para qualquer outra coisa além de muitas adaptações pequenas. Nada além do naturalismo dá especificamente suporte ao darwinismo, mas uma vez que todas as teorias naturalistas alternativas são ainda mais rebuscadas que o darwinismo, elas são consideradas suporte indireto.
 
Primeiro, em todos os outros campos da ciência o naturalismo tem sido espetacularmente bem sucedido; por que em biologia evolutiva seria tão diferente? É realmente possível que a ciência, depois de explicar com sucesso tantos outros fenômenos em termos de leis não inteligentes, se chocaria contra uma parede em biologia evolutiva, e teria de apelar para “design/projeto” aqui pela primeira vez? Conte isto como um ponto a favor do naturalismo, e contra o design, mas isto é fundamentalmente um ponto filosófico, e não científico. Mas até a mecânica quântica, a ciência nunca teve de reconhecer que algumas coisas na natureza são, em princípio, impossíveis de predizer. Até a teoria do Big Bang, a qual apontou pela primeira vez para um começo no tempo, os cientistas sempre tinham acreditado que, como o geólogo Joseph Le Conte expôs, “cada estado ou condição cresceu naturalmente a partir do [estado] imediatamente precedente”. Então, sim, é claro que é possível que a biologia evolutiva pudesse ser diferente, por que não? E meu artigo de 2013 “Entropia e Evolução”, no periódico Bio-Complexity, explica porque é tão diferente que requer um tipo diferente de explicação.
 
Segundo, há muitas coisas sobre a história da vida que dão a impressão de causas naturais. O argumento é basicamente “Isto não parece ser do jeito como se Deus tivesse criado as coisas”, um argumento usado frequentemente por Darwin em A Origem das Espécies.
 
Mas, de fato, como chamei a atenção em 2000, num artigo no Mathematical Intelligencer, “A Mathematician's View of Evolution” [Uma visão de matemático sobre a evolução], embora a história da vida possa não dar a aparência de criação por meio de uma varinha mágica, ela se parece muito com a forma como nós humanos criamos coisas, através de teste e aperfeiçoamento. O paleontólogo de Harvard George Gaylord Simpsom resume o registro fóssil como segue:
É um aspecto do registro fóssil conhecido que a maioria dos táxons aparece abruptamente. Eles não são, via de regra, conduzidos por uma sequência de mudanças quase imperceptíveis de precursores tal como Darwin acreditava que seria normal na evolução... Este fenômeno torna-se mais universal e mais intenso à medida que se sobe na hierarquia de categorias. Lacunas entre espécies conhecidas são esporádicas e frequentemente pequenas. Lacunas entre ordens, classes e filos conhecidos são sistemáticas e quase sempre grandes. Estas peculiaridades do registro propõem um dos mais importantes problemas teóricos em toda a história da vida: o súbito aparecimento de categorias mais altas é um fenômeno de evolução ou de registro apenas, devido ao viés de amostragem e a outras inadequações?
Se arqueólogos de alguma sociedade futura “desenterrassem” muitas versões de meu solucionador PDE, PDE2D, o qual tenho produzido nos últimos trinta anos, eles certamente notariam um acréscimo regular em complexidade ao longo do tempo, e eles veriam muitas similaridades óbvias entre cada nova versão e a versão anterior. No começo era apenas capaz de resolver uma única equação linear 2D de estado estacionário em uma região poligonal. Desde então, o PDE2D tem desenvolvido muitas habilidades: agora resolve problemas não lineares, problemas dependentes de tempo e de autovalores, sistemas de equações simultâneas, agora lida com regiões 2D curvas em geral, e se adaptou a problemas 1D e 3D. Um arqueólogo tentando explicar a evolução deste programa de computador em termos de muitos melhoramentos minúsculos pode ser confundido a achar que cada um destes maiores avanços (novas classes e filos?) apareceram repentinamente em novas versões; por exemplo, a habilidade de resolver problemas 3D apareceu primeiro na versão 4.0. Melhoramentos não tão grandes (novas famílias e ordens?) apareceram repentinamente em novas subversões, como, por exemplo, a habilidade de resolver problemas 3D com condições de contorno periódicas que apareceu primeiro na versão 5.6. De fato, o registro do desenvolvimento do PDE2D seria similar ao registro fóssil, com grandes lacunas onde os principais novos aspectos apareceram, e lacunas bem menores onde os aspectos secundários apareceram. Isto se dá em razão da multidão de programas intermediários entre versões ou subversões que o arqueólogo poderia esperar encontrar nunca terem existido, porque – por exemplo – nenhuma das mudanças que eu fiz para a edição 4.0 fazia qualquer sentido, ou porque qualquer vantagem que fosse na resolução de problemas 3D (ou algo mais) não foi provida ao PDE2D até centenas de linhas [de código] terem sido adicionadas. Assim como os principais avanços no desenvolvimento de um programa de computador não podem ser feitos através do aperfeiçoamento de uma cadeia de cinco ou seis caracteres, nenhum avanço evolutivo principal é redutível a uma cadeia de minúsculos aperfeiçoamentos, cada um pequeno o suficiente para ser resolvido por uma mutação simples aleatória.
 
Nós vemos este mesmo padrão no desenvolvimento de outras tecnologias. Se algum futuro paleontólogo fosse desenterrar dois tipos de Volkswagen, ele poderia achar plausível que um evoluiu gradualmente a partir do outro. Ele poderia achar a lacuna de transições graduais entre famílias de automóveis mais problemática, como, por exemplo, na transição de sistemas de freio de mecânico para hidráulico, ou transmissões de manual para automática, ou de motores a vapor para motores de combustão interna; embora se ele pensasse sobre como se pareceriam as transições graduais, ele entenderia porque elas não existiam. Ele ficaria até mais confuso diante das enormes diferenças entre a bicicleta e o filo dos veículos a motor, ou entre um barco e o filo dos aviões. Mas os céus nos ajudam quando ele descobre motocicletas e o hovercraft. A descoberta destes “elos perdidos” seria aclamada em todos os jornais como prova final de que todas as formas de transporte surgem gradualmente de um ancestral comum, sem projeto/design.
 
As similaridades entre a história da vida e a história da tecnologia vão ainda mais fundo. Embora as similaridades entre espécies no mesmo ramo da “árvore” evolutiva possam sugerir descendência comum, similaridades (mesmo similaridades genéticas) frequentemente também originam-se independentemente em ramos distantes, onde elas não podem ser explicadas por descendência comum. Por exemplo, de acordo com uma artigo da Nature Encyclopedia of Life Sciences, “a habilidade de ser carnívoro em plantas deve ter se originado várias vezes independentemente uma da outra... os ascídios podem ter se originado várias vezes separadamente, armadilhas adesivas pelo menos quatro vezes, armadilhas de mordida duas vezes e armadilhas de sucção possivelmente também duas vezes”. Este fenômeno, conhecido como “convergência”, sugere mais projeto comum que descendência comum: a probabilidade de projetos similares se originarem independentemente através de processos aleatórios é muito pequena, mas um projetista poderia, é claro, ter uma boa razão e aplicá-lo diversas vezes em diferentes lugares, em espécies não relacionadas. Convergência é um fenômeno frequente visto no desenvolvimento de tecnologia humana: por exemplo, automóveis Ford e jatos Boeing podem simultaneamente evoluir novos sistemas de GPS semelhantes.
 
Ken Miller desafiou críticos do darwinismo a explicar porque, no registro fóssil, encontramos “um organismo após outro em lugares e em sequências... que claramente dão a aparência de evolução”. Eu respondo, neste artigo no ENV, com outra questão: “Por que a história da tecnologia dá a aparência de evolução, quando, na verdade, é resultado de projeto/design inteligente?”
 
Então se a história da vida se parece com a forma como os humanos, os únicos seres inteligentes conhecidos no universo, projetam coisas – através de cuidadoso planejamento, teste e melhorias – por que é que há um argumento contra o projeto/design? Assim como muitos outros argumentos usados por Darwin e darwinistas, este argumento é fundamentalmente um argumento religioso, envolvendo pressupostos sobre como Deus deveria ter criado as coisas: ele deve ter usado uma varinha mágica.
 
O darwinismo deve sua popularidade inteiramente a estes dois argumentos filosóficos e religiosos; como uma teoria científica não tem nada mais que a torne atraente.
 
 
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sábado, 13 de dezembro de 2014

Dois textos

 
Texto de Reinaldo José Lopes (do blog Darwin e Deus - Folha de São Paulo) onde mais uma vez tenta defender que a origem da vida através de processos aleatórios não guiados, fazendo uso apenas da seleção natural, é um fato, Fato, FATO (como costuma dizer o Enézio Filho).
 
 
Matéria da Scientific American Brasil sobre uma pesquisa que explora a computação com moléculas biológicas. Pode-se perceber através do texto que o homem tenta fazer algo que já existe nos organismos vivos, o que nos leva a refletir sobre a presença de inteligência na origem da vida.
 
 
 
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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Notícias/textos à época do 1º Congresso Brasileiro de Design Inteligente

 
Segue abaixo um apanhado de notícias textos que apareceram na mídia antes e depois do recente 1º Congresso Brasileiro do Design Inteligente, notícias tanto de cunho divulgador como também combativo. Muitas delas demonstram quase total desconhecimento sobre o assunto por parte de quem escreve – ou má fé mesmo, no intuito de fazer menos caso.
 
Ao lado de cada link coloco a data de sua publicação para o leitor se situar em relação ao congresso (que ocorreu entre os dias 14 e 16 de novembro de 2014).
 
 
 
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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Físico de Dartmouth: Quando a ciência se obscurece em fé

 
[Atualizado em 22/nov/2014]
 
Artigo do Evolution News, com o título original ’Dartmouth Physicist: When Science Shades Over Into Faith’, traduzido por mim.
 
Textos entre colchetes "[ ]" foram introduzidos por mim.
 
 
Físico de Dartmouth: Quando a ciência se obscurece em fé
David Klinghoffer, 3 de novembro de 2014, 11:40 AM
 
 
Marcelo Gleiser na página da 'TV Brasil - EBC' no Flickr [flickr.com/photos/tvbrasil]
 
 
Marcelo Gleiser é um físico teórico do Dartmouth College que pisa em terreno perigoso de tempos em tempos. Ele escreve um comentário regularmente para a NPR, onde, no passado, ele admitiu que mesmo tomando a origem da vida simples na Terra como um dado, o desenvolvimento de vida complexa se apresenta como um extraordinário enigma adicional. Tendo apenas a evolução darwiniana como um recurso, assumir que biologia complexa está lá fora, entre as estrelas, assim como em nosso planeta, é algo duro de engolir.
 
Agora ele reconhece de forma provocativa que a ciência pode se obscurecer em fé quando cientistas se agarram a ideias além do ponto onde a evidência se volta contra eles:
Alguns cientistas mantém uma crença mais [tempo] do que deveriam? Ou, de forma mais provocativa, quando uma crença científica se torna uma matéria de fé?
 
Falar sobre fé no contexto da ciência parece bastante blasfemo. Não é a ciência antítese da fé, dado que é supostamente baseada em certezas, na verificação explícita das hipóteses? A visão de ciência como sendo perfeitamente lógica e racional é uma idealização. É claro, o produto da pesquisa científica deve ser algo concreto: hipóteses devem ser tanto confirmadas como refutadas, e a informação dos experimentos deveriam ser repetíveis por outros. A penicilina cura doenças, aviões voam e o cometa Halley de fato volta a cada 76 anos.
 
As coisas se tornam mais experimentais na vanguarda, onde não há certezas. O que torna a ciência tão fascinante é que ela mira a perfeição mesmo quando envolvida com a invenção de coisas falíveis.
Ele apresenta a supersimetria como ilustração.
Enquanto alguns abandonarão a teoria por falta de suporte experimental, outros irão se agarrar a ela, reajustando os parâmetros para que a supersimetria se torne viável em energias bem além do nosso alcance. A teoria irá então ser intestável para o futuro previsível, talvez indefinidamente. A crença na supersimetria irá então ser um artigo de fé.
 
Como deveríamos lidar com este tipo de situação na ciência? Claramente, cientistas farão o que quiserem (contanto que tenham financiamento para tal); aqueles que se agarram à supersimetria argumentarão que ela irá conduzí-los em direção a outras hipóteses, e aí tudo bem. Talvez venha alguma coisa que seja testável. Outros procurarão por explicações em outra parte.
 
O desafio, é claro, é que não sabemos a resposta certa. A preocupação é que nós podemos nunca vir a saber, caso no qual o plano é cientificamente inútil. Quando você investe décadas de sua vida profissional perseguindo uma ideia, é realmente difícil abandoná-la. Alguns nunca o fazem.
Leia mais uma vez as duas últimas sentenças, as quais destaquei em negrito. É necessário soletrar as implicações disso no debate sobre design [projeto] na natureza? Os velhos camaradas não abandonarão o Darwinismo. O progresso depende de biólogos jovens de cujos nomes você ainda não ouviu falar. É outra forma de dizer, com Max Planck, que “A ciência avança um funeral por vez”.
 
ATUALIZAÇÃO: Um correspondente via e-mail me chama a atenção para o uso do termo teoria “zumbi” por parte de Gleiser, uma ideia que está morta, mas ainda cambaleando em seus próprios pés:
Como um zumbi que nunca morre, é possível avançar com teorias que podem sempre ser redefinidas para escapar do alcance dos experimentos em voga.
É uma afirmação da qual vale a pena tomar nota.
 
 
Foto: Marcelo Gleiser na página da TV Brasil - EBC no Flickr
 
 
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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Mudanças microevolutivas podem se somar para [resultar em] uma mudança macroevolutiva?

 
[atualizado em 22/nov/2014]
 
 
Textos entre colchetes "[ ]" foram introduzidos por mim.
 
 
Um leitor pergunta: Mudanças microevolutivas podem se somar para [resultar em] uma mudança macroevolutiva?
Casey Luskin, 31 de outubro de 2014, 12:56 PM
 
 
Máquina de somar (Aaron Kyle em Flickr)
 
 
Após meu recente artigo sobre mudanças microevolutivas nas almofadas dos dedos de lagartos, um leitor nos escreveu para perguntar se há alguma distinção real entre microevolução e macroevolução. É uma questão racional. Em outras palavras, poderiam milhares após milhares de pequenas mudanças microevolutivas se acumularem e se somarem para [resultar em] a “macroevolução”? Em resposta, eu indiquei que há boas razões para compreender que muitos aspectos biológicos não podem simplesmente serem construídos adicionando pequenas mudanças.
 
Eu presumo que se um leitor se deu ao trabalho de perguntar sobre isso, então outros devem estar pensando, apesar de nosso (website?) [no texto original falta uma palavra!] ter abordado a questão muitas vezes no passado. Então, por favor, deixe-me explicar.
 
A evolução darwiniana pode trabalhar bem quando um pequeno passo (por exemplo, uma mutação de ponto simples) ao longo de um caminho evolutivo confere uma vantagem. A teoria do design inteligente não tem problema com isto.
 
Mas e sobre casos onde muitos passos, ou muitas mutações, são necessárias para se ganhar alguma vantagem? O biólogo evolucionista Jerry Coyne afirma o seguinte quanto declara: “É de fato verdade que a seleção natural não pode construir qualquer aspecto no qual passos intermediários não conferem um benefício líquido ao organismo”. [1] Darwin escreveu quase a mesma coisa em A Origem das Espécies:
Se pudesse ser demonstrado que algum órgão complexo existe, o qual não poderia ter sido formado através de pequenas modificações numerosas e sucessivas, a minha teoria estaria absolutamente arruinada.
Para a seleção natural, o problema vem quando um aspecto não pode ser construído através de “pequenas modificações numerosas e sucessivas” – isto é, quando uma estrutura requer muitas mutações estarem presentes antes de prover qualquer vantagem para a seleção natural selecionar.
 
Como os proponentes do design inteligente mostram, a informação sugere que muitas estruturas biológicas de fato requerem muitas mutações estarem presentes antes de garantir uma vantagem.
 
Em 2004, o bioquímico Michael Behe copublicou um estudo no periódico Protein Science com o físico David Snoke demonstrando que se múltiplas mutações são requeridas para produzir uma ligação funcional entre duas proteínas, então “o mecanismo da duplicação de gene e o ponto de mutação sozinhos seriam ineficientes porque poucas espécies multicelulares alcançam tamanhos de população requeridos”. [2]
 
Escrevendo em 2008 no jornal Genetics, os críticos de Behe e Snoke tentaram refutá-los, mas falharam. Os críticos constataram que, na população humana, obter apenas duas mutações simultâneas via evolução darwiniana “levaria > 100 milhões de anos”, o que eles admitiram que era “altamente improvável de ocorrer numa escala de tempo razoável”. [3] Está ficando cada vez mais claro que muitos “aspectos multi-mutação”, os quais requereriam múltiplas mutações antes de prover qualquer benefício, são improváveis de serem produzidos por mecanismos evolutivos não guiados.
 
Em um estudo revisado por pares de 2010, o biólogo molecular Douglas Axe demonstrou a inabilidade da evolução darwiniana em produzir aspectos multi-mutações. Axe calculou que quando um “aspecto multi-mutação” requer mais que seis mutações antes de oferecer qualquer benefício, é improvável de surgir mesmo considerando toda a história da Terra. [4] Ele proveu embasamento empírico para esta conclusão a partir de uma pesquisa experimental já publicada por ele no Journal of Molecular Biology. Ele percebeu lá que apenas uma em 1074 sequências de aminoácidos rende uma dobragem em proteína funcional. [5] Isto implica que as dobras das proteínas em geral são aspectos multi-mutação, requerendo muitos aminoácidos para serem fixados antes da montagem prover uma vantagem funcional.
 
Outro estudo de Axe e Gauger descobriu que meramente convertendo uma enzima em outra intimamente relacionada – o tipo de conversão que evolucionistas afirmam poder acontecer facilmente – requereria um mínimo de sete mudanças simultâneas, [6] excedendo os recursos probabilísticos disponíveis para a evolução em toda a história da Terra, como calculado por Axe em seu artigo de 2010. [4] Esta informação implica que muitos aspectos bioquímicos são tão complexos que requereriam muitas mutações antes de prover qualquer vantagem a um organismo, e estaria, desta forma, além do limite do que a evolução darwiniana pode fazer.
 
Um estudo empírico de Gauger e do biólogo Ralph Seelke semelhantemente constatou que quando duas meras mutações ao longo de uma via gradual foram requeridos para restaurar a função de um gene bacteriano, mesmo assim o mecanismo darwiniano falhou. [7] A razão pela qual o gene não pôde ser consertado foi porque ficou preso em um máximo local [alusão a um ponto máximo local de uma função, provavelmente], onde era mais vantajoso apagar um gene fracamente funcional do que continuar a expressá-lo na esperança de que “viria a encontrar” as mutações que reparassem o gene. O que isto significa é que múltiplas mutações são necessárias para prover uma vantagem, e por isso a evolução darwiniana não poderia fazê-lo.
 
Isto, por sua vez, corrobora um artigo de revisão de Michael Behe no periódico Quarterly Review in Biology em 2010. Ele notou que quando bactérias e vírus passam por adaptações no nível molecular eles tendem a perder ou diminuir funções moleculares. [8] Isto acontece porque evoluir uma função inteiramente nova requer muitas mutações antes de se obter uma vantagem – algo muito improvável de acontecer por evolução darwiniana. É muito mais fácil “quebrar as coisas”, o que requer bem menos mutações.
 
O problema aqui, mais uma vez, é que muitos aspectos requerem múltiplas mutações antes de proverem uma vantagem. Eles não podem ser produzidos por evolução darwiniana porque estágios intermediários não provêm vantagem e, desta forma, não podem ser selecionados.
 
O movimento do DI está produzindo pesquisa empírica e teórica mostrando que quando múltiplas mutações são requeridas antes de conferirem qualquer vantagem a um organismo o “tempo de espera” para estas mutações está frequentemente além do tempo disponível em toda a história da Terra. Há boas razões para esperar que mutações aleatórias não possam construir muitos aspectos complexos que vemos em biologia. Algum processo não aleatório que possa “olhar à frente” e encontrar aspectos complexos vantajosos é necessário. Tal processo é design inteligente.
 
Referências citadas:
[1.] Jerry Coyne, "The Great Mutator," The New Republic (June 14, 2007).
[2.] Michael Behe and David Snoke, "Simulating Evolution by Gene Duplication of Protein Features That Require Multiple Amino Acid Residues," Protein Science 13 (2004): 2651-2664.
[3.] Rick Durrett and Deena Schmidt, "Waiting for Two Mutations: With Applications to Regulatory Sequence Evolution and the Limits of Darwinian Evolution," Genetics 180 (2008):1501-1509.
[4.] Douglas Axe, "The Limits of Complex Adaptation: An Analysis Based on a Simple Model of Structured Bacterial Populations," BIO-Complexity, 2010 (4): 1-10.
[5.] Douglas Axe, "Estimating the Prevalence of Protein Sequences Adopting Functional Enzyme Folds," Journal of Molecular Biology, 341 (2004):1295-1315; Douglas Axe, "Extreme Functional Sensitivity to Conservative Amino Acid Changes on Enzyme Exteriors," Journal of Molecular Biology, 301 (2000): 585-95.
[6.] Ann Gauger and Douglas Axe, "The Evolutionary Accessibility of New Enzyme Functions: A Case Study from the Biotin Pathway," BIO-Complexity, 2011 (1): 1-17.
[7.] Ann Gauger, Stephanie Ebnet, Pamela F. Fahey, and Ralph Seelke, "Reductive Evolution Can Prevent Populations from Taking Simple Adaptive Paths to High Fitness," BIO-Complexity, 2010 (2): 1-9.
[8.] Michael Behe, "Experimental Evolution, Loss-of-Function Mutations, and the "First Rule of Adaptive Evolution," The Quarterly Review of Biology, 85(4) (December, 2010).
 
Foto: Máquina de somar (Aaron Kyle em Flickr)
 
 
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quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Nature admite que cientistas suprimem críticas ao neodawinismo para evitar dar suporte ao design inteligente

 
[Atualizado em 20/jan/2015]
 
 
Textos entre colchetes "[ ]" foram introduzidos por mim. Palavras ou expressões em itálico são aquelas as quais suspeito não ter conseguido fazer a melhor tradução possível.
 
 
 
Nature admite que cientistas suprimem críticas ao neodawinismo para evitar dar suporte ao design inteligente
Casey Luskin, 8 de outubro de 2014, 9:01 PM
 
Se você pensa que o design inteligente não está causando impacto na biologia evolutiva, pense de novo. A última edição da [revista] Nature tem um ponto e contraponto sobre a questão “A teoria evolutiva necessita ser repensada?” Respondendo “Sim, urgentemente” estão Kevin Laland (professor de biologia evolucionária e comportamental da Universidade de St. Andrews), Tobias Uller, Marc Feldman, Kim Sterelny, Gerd B. Müller, Armim Moczek, Eva Jablonka and John Odling-Smee – alguns dos quais foram membros da infame “Altenberg 16”. Naquele contexto, eles começaram a conceber o que eles chamam a Síntese Evolutiva Ampliada (SEA), a qual é essencialmente uma nova síntese evolutiva que rejeita alguns dos princípios centrais do neodarwinismo (como a visão de que a seleção natural é a força dominante guiando a evolução, ou a visão de que existe uma “árvore da vida”). Seus artigos contêm uma confissão impressionantemente franca: alguns cientistas evitam fazer críticas à evolução neodarwinista para não dar a aparência de estarem apoiando o DI:
O número de biólogos pedindo por mudanças na forma como a evolução é conceituada está crescendo rapidamente. Forte apoio vem de disciplinas aliadas, particularmente da biologia do desenvolvimento, mas também da genética, epigenética, ecologia e da ciência social. Defendemos que a biologia evolutiva necessita revisão se é para se beneficiar plenamente destas outras disciplinas. Os dados que sustentam nossa posição tornam-se mais fortes a cada dia.
 
Entretanto, a mera menção da SEA frequentemente evoca uma reação emocional, até mesmo hostil, entre biólogos evolucionistas. Com bastante frequência, discussões vitais descambam para a grosseria, com acusações de confusão [no sentido de confundir] ou distorção. Talvez assombrados pelo espectro do design inteligente, biólogos evolucionistas desejam mostrar uma frente unida àqueles hostis à ciência. Alguns podem temer em receber menos financiamento e reconhecimento se intrusos – tais como fisiologistas e biólogos do desenvolvimento – entrarem em seu campo, área.
 
(Kevin Laland, Tobias Uller, Marc Feldman, Kim Sterelny, Gerd B. Müller, Armin Moczek, Eva Jablonka e John Odling-Smee, "Does evolutionary theory need a rethink? Yes, urgently [A teoria evolutiva necessita ser repensada? Sim, urgentemente]" Nature, Vol. 514:161-164 (9 de outubro de 2014) (ênfase adicionada).)
Já vimos este tipo de confissões antes (veja aqui uma curta discussão). Devemos ser encorajados pelas palavras desses cientistas? Ou nos sentirmos aborrecidos?
 
Por um lado, é um tanto perturbador ouvir que biólogos auto-censurariam seus pontos de vista simplesmente porque não gostam da alternativa distinta – o que eles rotulam como sendo “ciência hostil”. Isto mostra que o campo da biologia evolutiva está num estado incrivelmente doentio. Dogmatismo na evolução está impedindo o avanço científico. Se biólogos evolucionistas censuram eles mesmos, imagine o que fazem a outros cientistas que saem da linha e se recusam a participar da “frente unida”? A resposta está diante de seus olhos neste artigo: eles marginalizam dissidentes chamando-os de “ciência hostil”.
 
Por outro lado, é encorajador ouvir uma confissão de que muitos biólogos reconhecem que a síntese neodarwinista tem falhado em explicar os dados. Enquanto muitos desses biólogos ainda procuram concepções materialistas alternativas de evolução, e rejeitam o design inteligente, muitas das críticas que eles estão fazendo são similares àquelas feitas pelos proponentes do DI. Por exemplo, Laland et al. escrevem:
A teoria evolutiva padrão (TEP) mantém em grande parte os mesmos pressupostos da síntese moderna original, a qual continua a conduzir como as pessoas pensam sobre evolução.
 
A estória que a TEP conta é simples: nova variação surge através de mutação genética aleatória; herança ocorre através do DNA; e a seleção natural é a única causa de adaptação, o processo pelo qual organismos tornam-se bem adaptados aos seus ambientes. Neste ponto de vista, a complexidade do desenvolvimento biológico – as mudanças que ocorrem à medida que um organismo cresce e envelhece – são de importância secundária, até mesmo menor.
 
Em nosso ponto de vista, este foco 'gene-cêntrico' falha em apanhar a completa gama de processos que dirigem a evolução. Peças faltantes incluem a forma como o desenvolvimento físico influencia a geração de variação (viés de desenvolvimento); como o ambiente molda diretamente as feições dos organismos (plasticidade); como os organismos modificam o ambiente (construção de nicho); e como os organismos transmitem mais que genes através das gerações (herança extra-genética). Para a TEP estes fenômenos são apenas resultados de evolução. Para a SEA eles são também causas.
Proponentes do DI têm dito muitas dessas mesmas coisas – que após o ENCODE, a noção do gene mudou radicalmente, e a matemática que embasa a genética de populações da TEP pode não ser mais válida.
 
Proponentes do DI também chamam a atenção para que a descoberta de evolução convergente desenfreada em biologia desaparece em face das previsões do neodarwinismo, o qual alega que a evolução é baseada em variação aleatória não guiada. Do mesmo modo, Laland et al. apontam que “variação não é [algo] aleatório”.
 
Agora os mesmos Laland et al. se retêm em reconhecer uma das mais sérias críticas que muitos biólogos evolucionistas também estão fazendo – a de que a biologia evolutiva carece de uma teoria da geração. Mas temos visto este tipo de reconhecimento de outros proponentes da SEA. Por exemplo, quando a Nature pôs na capa a conferência “Altenberg 16”, em 2008, ela citou os principais cientistas dizendo coisas como:
  • “A origem das asas e a invasão da terra … são coisas que a teoria evolutiva nos contou pouco a respeito”.
  • “Você não pode negar a força da seleção na evolução genética … mas no meu ponto de vista isto são formas de estabilização e de ajuste fino que se originam devido a outros processos”.
  • “A síntese moderna é notavelmente boa em modelar a sobrevivência do mais apto, mas não é boa em modelar a chegada do mais apto”.
(Scott Gilbert, Stuart Newman e Graham Budd citados em John Whitfield, "Biological theory: Postmodern evolution?" Nature, 455: 281-284 (17 de setembro de 2008).)
 
Teria sido muito bom ler tais confissões sérias no artigo de Laland et al., mas isto teria dado crédito ao design inteligente. Melhor se auto-censurar, certo?
 
 
 
 
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sábado, 4 de outubro de 2014

Livro: Mind and Cosmos

 
 
 
Mind and Cosmos: Why the Materialist Neo-Darwinian Conception of Nature Is Almost Certainly False [Mente e Cosmos: Porque a concepção materialista neodarwinista da natureza é quase que certamente falsa] é um livro do filósofo Thomas Nagel o qual descobri nessa página do Evolution News e fiquei com vontade de ler. Ele está disponível em formato digital para compra na loja Amazon brasileira (veja aqui).
 
Abaixo segue o texto de descrição do livro que está lá na página dele no site da Amazon.
 
 
Descrição do produto:
 
A explicação materialista moderna para a vida tem falhado notavelmente em explicar os aspectos centrais relacionados à mente, tais como, consciência, intencionalidade, significado e valor. Esta falha em levar em conta algo tão essencial à natureza como a mente, argumenta o filósofo Thomas Nagel, é um problema grave, ameaçando desvendar toda a visão de mundo naturalista, estendendo-se à biologia, teoria evolucionária e cosmologia. Uma vez que mentes são aspectos de sistemas biológicos que se desenvolveram através de evolução, a versão padrão materialista de biologia evolucionária é fundamentalmente incompleta. E a história cosmológica que levou à origem da vida e a vinda à existência das condições para a evolução não podem ambas ser meramente história materialista. Uma concepção adequada da natureza teria de explicar o aparecimento, no universo, de mentes conscientes materialmente irredutíveis, como tais.
 
O ceticismo de Nagel não é baseado em crença religiosa ou em qualquer alternativa definida. Em Mind and Cosmos ele até sugere que se a conta materialista está errada, então princípios de um tipo diferente podem também estar trabalhando na história da natureza, princípios de crescimento de ordem que são, em sua forma lógica, mais propriamente teleológicos que mecanísticos.
 
Apesar dos grandes avanços das ciências físicas, o materialismo reducionista é uma cosmovisão pronta para ser destituída. Nagel mostra que reconhecer seus limites é o primeiro passo na busca por alternativas ou, pelo menos, na abertura à sua possibilidade.
 
 
Obs.: o texto original se revelou a mim meio difícil de compreender e traduzir em alguns pontos. Em razão disso, você pode achar algumas orações um tanto desconexas, truncadas, mas é consequência da redação do original.
 
 
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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Por que a evolução é diferente?

 
Artigo do Evolution News, com o título original Why evolution is different, traduzido por mim.
 
 
 
Porque a evolução é diferente?
Granville Sewell, 2 de setembro de 2014, 5:34 AM
 
No atual debate entre darwinismo e design inteligente, o argumento mais forte levantado pelos darwinistas é este: Em todos os outros campos da ciência o naturalismo tem sido espetacularmente bem sucedido, então por que na biologia evolutiva deveria ser diferente? Mesmo a maioria dos cientistas que duvidam da explicação darwinista para a evolução são confiantes de que a ciência irá, no devido tempo, trazer uma explicação mais plausível. Essa é a maneira como a ciência funciona. Se uma teoria falha, procuramos outra. Por que a evolução seria tão diferente? Muitas pessoas acreditam que os defensores do design inteligente não entendem como a ciência funciona e que são motivados inteiramente por suas crenças religiosas.
 
Bem, não espero mudar a mente de ninguém com a discussão que segue, mas tenho a esperança de que irá ao menos ajudar os críticos do DI a entender porque alguns de nós que compreendem como a ciência normalmente trabalha, e que não são fanáticos religiosos, sentem que a evolução é fundamentalmente diferente de outros problemas científicos e requer uma forma fundamentalmente diferente de lidar.
 
Abaixo está um conjunto de fotos de uma vizinhança em Joplin, Missouri. A primeira foi tirada logo antes do ataque de um tornado em 22 de maio de 2011.
 
 
1. Joplin antes do primeiro tornado
 
 
2. Joplin depois do primeiro tornado
 
Felizmente, outro tornado atacou Joplin poucos dias depois e tornou todo esse entulho de volta em casas e carros, como visto na terceira foto.
 
 
3. Joplin depois do segundo tornado
 
 
Se eu lhe perguntasse por que você não acredita em minha estória sobre o segundo tornado, você poderia dizer que que este tornado parece violar as declarações mais gerais da segunda lei da termodinâmica, tal como “Em um sistema isolado, a direção das mudanças espontâneas são da ordem para a desordem”. A isto eu poderia replicar que Joplin não é uma sistema isolado, que tornados recebem sua energia do sol e que dessa forma o decréscimo da entropia em Joplin causada pelo segundo tornado é facilmente compensado por acréscimos no lado de fora deste sistema aberto. Ou eu poderia argumentar que é também um tanto difícil quantificar o decréscimo na entropia causado pelo segundo tornado, ou poderia dizer simplesmente que não aceito as declarações mais gerais da segunda lei, que a segunda lei da termodinâmica seria aplicável apenas à termodinâmica.
 
Suponha, entretanto, que eu dissesse mais adiante que tenho uma teoria científica que explica como tornados, sob as condições certas, pode realmente tornar entulho de volta em casas e carros. Você duvida de minha teoria? Você ainda sequer a ouviu! Agora tenho outro conjunto de fotos para você, e mais duas estórias. A primeira foto mostra um planeta especial semelhante à Terra, em um certo sistema solar, com aparência de cerca de 4 bilhões de anos atrás. A segunda mostra uma grande cidade no mesmo local cerca de 10.000 anos atrás. Em seu auge, a cidade tinha prédios altos cheios de seres inteligentes, computadores, TVs e celulares. Havia bibliotecas cheias de textos e romances científicos, e aviões a jato aterrissando e decolando em seu aeroporto.
 
 
1. Planeta semelhante à Terra logo depois de formado
 
 
2. Planeta no auge de sua civilização
 
 
Cientistas explicam como a civilização se desenvolveu neste planeta outrora estéril como segue: cerca de 4 bilhões de anos atrás uma coleção de átomos, formada por pura chance, foi capaz de duplicar-se sozinha, e estas complexas coleções de átomos foram capazes de preservar suas estruturas complexas e passá-las a frente aos seus descendentes geração após geração. Ao longo de um grande período de tempo, a acumulação de acidentes genéticos resultou em uma coleção de átomos cada vez mais e mais complexa, e finalmente algo chamado “inteligência” permitiu a algumas dessas coleções de átomos projetar prédios, computadores e TVs, e escrever enciclopédias e textos científicos.
 
Tristemente, alguns anos após a segunda foto, a estrela desse sistema solar explodiu em uma supernova, e todos os seres inteligentes morreram; seus corpos se deterioraram e suas células se decompuseram em simples compostos orgânicos e inorgânicos. A maioria dos prédios tornaram-se imediatamente entulho – os que não, caíram em pedaços com o tempo. A maioria dos computadores e TVs dentro deles foram transformados em pedaços de metal. Mesmo aqueles que não, gradualmente tornaram-se pilhas de pó. A maioria dos livros nas bibliotecas queimaram, o resto apodreceu com o tempo, e o resultado final, muitos anos depois, você pode ver na foto três.
 
 
3. Planeta hoje
 
 
Agora é na primeira estória que é mais difícil de crer. O desenvolvimento da civilização nesse planeta, e o tornado que transformou em escombros casas e carros, ambos parecem violar as afirmações mais gerais da segunda lei, e de uma forma espetacular. Muitas razões pelas quais o desenvolvimento de uma civilização não viola a segunda lei têm sido dadas, mas todas elas podem igualmente ser usadas para argumentar que o segundo tornado não a viola tampouco. Quer dizer, todas exceto uma: há uma teoria sobre como civilizações podem se desenvolver em planetas estéreis a qual é largamente aceita no mundo científico, enquanto não há uma teoria largamente aceita sobre como tornados poderiam transformar escombros em casas e carros.
 
Bem, talvez essa teoria largamente aceita esteja correta, ou talvez uma nova, mais plausível, ainda será encontrada. Minha questão, contudo, àqueles que tratam a evolução como apenas mais um problema científico é esta: você realmente ainda acredita que qualquer um que duvida que a ciência pode explicar o desenvolvimento de vida e de inteligência humana em termos de forças não inteligentes sozinhas simplesmente não entende como a ciência funciona? Você não consegue agora pelo menos entender porque alguns de nós sentimos que a evolução é fundamentalmente diferente e um problema muito mais difícil que outros resolvidos pela ciência, e que requer uma forma fundamentalmente diferente de lidar?
 
Veja meu artigo de 2013 “Entropy and Evolution” [Entropia e Evolução] publicado no periódico BIO-Complexity, ou este vídeo baseado no referido paper, para desenvolvimento deste tópico.
 
 
As fotografias aqui usadas são as mesmas do artigo original. Lá não há citação da fonte ou autor. Imagino que as mesmas sejam de uso livre.
 
 
Procurando na internet pelo nome do autor, Granville Sewells, é possível encontrar mais textos sobre seus argumentos (inclusive contra).
 
 
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Leis da física - projeto inteligente - artigo científico para download - matemático - violação da segunda/2a lei da termodinâmica
 
 
 
 

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Livro: Signature in the Cell

 
Signature in the cell (capa)
 
 
Stephen C. Meyer, um dos arquitetos da Teoria do Design Inteligente, escreveu o livro Signature in the Cell - DNA and the evidence for intelligent design (Assinatura na célula - DNA e a evidência para o design inteligente), onde ele apresenta a informação contida no DNA como evidência para a ideia de que a vida foi projetada.
 
Até o presente momento o livro não possui tradução para o português; porém, pode ser adquirido na versão eletrônica no site brasileiro da Amazon, em inglês, sem ter de esperar vir uma cópia lá dos EUA.
 
Abaixo segue uma descrição da publicação (traduzida por mim) retirada da seção About the book (sobre o livro) do hotsite do livro: www.signatureinthecell.com. Links e textos entre colchetes "[ ]" foram introduzidos por mim.
 
 
Sobre o livro
 
As fundações do materialismo científico estão em processo de desagregação. Em Signature in the Cell, o filósofo da ciência Stephen C. Meyer mostra como o código digital no DNA aponta poderosamente para uma inteligência projetista por trás da origem da vida. O livro será publicado em 23 de junho pela HarperOne [informação da época da publicação, 2009].
 
Diferentemente dos argumentos anteriores para o design inteligente, Signature in the Cell apresenta uma nova conjetura radical e compreensiva, revelando não meramente a evidência de aspectos individuais de complexidade biológica, mas sim um constituinte fundamental do universo: informação. Esta evidência vem crescendo exponencialmente nos anos recentes, conhecida dos cientistas em áreas especializadas, mas largamente ocultada do público. Um teórico e pesquisador treinado na Universidade de Cambridge, diretor do Discovery Institute for Cience and Culture, Dr. Meyer é o primeiro a trazer detalhes relevantes junto com uma poderosa demonstração da inteligência que está além da natureza e que dirige o caminho que a vida tomou.
 
O universo é composto de matéria, energia e da informação que dá ordem à matéria e à energia, o que traz a vida à existência. Na célula, a informação é carregada pelo DNA, que funciona como um programa de computador. A assinatura na célula [signature in the cell, em inglês] é aquela do mestre programador da vida.
 
Em sua teoria da evolução, Charles Darwin nunca procurou elucidar o mistério de onde a informação biológica vem. Para ele, as origens da vida continuaram encobertas em obscuridade impenetrável. Embora o código digital no DNA tenha vindo à luz na década de 1950, somente tempos mais tarde foi que cientistas começaram a perceber as implicações por trás do sistema técnico primorosamente complexo para processamento e armazenamento de informação na célula. A célula faz o que qualquer avançado sistema operacional de computador pode fazer, mas com inconcebivelmente maior flexibilidade e eficiência.
 
Instigado por dados de muitos campos da ciência, Stephen Meyer formula um rigoroso argumento empregando o mesmo método de raciocínio inferencial que Darwin usou. Numa impressionante narrativa com elementos de uma estória de detetives, bem como numa busca pessoal pela verdade, Meyer ilumina o mistério que rodeia as origens do DNA. Ele demostra que todos os esforços científicos anteriores para explicar as origens da informação biológica falharam, e argumenta convincentemente pelo design inteligente como a melhor explicação para o início da vida. Nos capítulos finais, ele defende a teoria do DI de várias objeções e mostra como o design inteligente oferece proveitosas introduções para a pesquisa científica futura.
 
Surgindo neste ano do aniversário de Darwin [2009] – 200º aniversário de Darwin e 150º aniversário da sua publicação A Origem das Espécies – Signature in the Cell só poderia ter sido escrito agora que os dados da nascente era da informação na biologia começou. Meyer compartilha com os leitores a excitação das mais recentes descobertas, à medida que a tecnologia digital trabalhando na célula vai sendo progressivamente revelada. O sistema operacional incorporado no genoma inclui codificação aninhada, processamento digital,  recuperação distributiva e sistemas de armazenamento. É muito extraordinário – a terminologia é toda reconhecida a partir da ciência da computação.
 
O aparecimento de livro de Meyer é oportuno em duas outras formas. Primeiro, escritores ateus “best-sellers”, como o biólogo Richard Dawkins, têm insistido que em razão de Darwin ter enterrado o argumento tradicional de design/projeto na natureza, a crença religiosa tem se mostrado irracional em nossa moderna era da ciência. Meyer revela que, ao contrário, é precisamente nossa moderna era científica que está em processo de enterro das teorias materialistas sobre o desenvolvimento da vida.
 
Segundo, desde que um juiz federal em Dover, Pennsylvania, decretou em 2005 que o design inteligente não pode reivindicar legalmente a designação de “ciência”, o juiz John E. Jones se tornou o herói dos ativistas darwinistas e de seus apoiadores na academia e na mídia. A decisão de Dover tem sido chamada de toque fúnebre dos sinos para o design inteligente. Dificilmente! Falando a partir da mais relevante perspectiva da filosofia da ciência, Meyer responde que aos juízes federais nunca foi dado o trabalho de definir o que é científico e o que não é.
 
Como um filósofo e cientista, tendo trabalhado no campo da geofísica para a Atlantic Richfield, Meyer é capaz de retroceder a partir da briga entre visões competidoras sobre a teoria darwinista e oferecer uma minuciosa e atrativa investigação do início da vida.
 
 
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Livro eletrônico - ebook/e-book … sobre o design inteligente, a TDI / o DI
 
 
 

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Design Inteligente não é Criacionismo

 
[atualizado em 09/set/2014]
 
A seguir a tradução feita por mim do artigo de mesmo título que o do post, encontrado neste link do site do Discovery Institute. Os links para significados de palavras foram inseridos por mim.
 
 
DESIGN INTELIGENTE NÃO É CRIACIONISMO
Por: Stephen C Meyer
The Daily Telegraph (Londres)
09 de fevereiro de 2006

Este artigo foi originalmente publicado no Daily Telegraph (Reino Unido) em 29 de janeiro.

Em 2004, o ilustre filósofo Antony Flew da Universidade de Reading foi notícia em todo o mundo quando repudiou uma longa vida de compromisso com o ateísmo e afirmou a realidade de algum tipo de criador. Flew citou evidência ao design inteligente no DNA e os argumentos dos “teóricos americanos do design [inteligente]” como importantes razões para esta mudança.

Desde então, leitores britânicos tinham aprendido sobre a teoria do design inteligente (DI) principalmente a partir de relatos da mídia sobre as batalhas na corte dos Estados Unidos tratando da legalidade de seu ensino aos estudantes. De acordo com a maioria dos relatos, o DI é uma alternativa “baseada em fé” à evolução, fundamentada unicamente em religião.

Mas esta afirmação é precisa? Como um dos arquitetos da teoria, eu sei que não.

Ao contrário do que dizem os relatos da mídia, o DI não é uma ideia baseada em religião, mas uma teoria científica baseada em evidências sobre as origens da vida. De acordo com os biólogos darwinistas, tal como Richard Dawkins da Universidade de Oxford, sistemas vivos “dão a aparência de terem sido projetados com propósito”.

Porém, para darwinistas modernos, tal aparência de projeto (design) é ilusória porque o processo puramente não dirigido da seleção natural agindo sobre mutações aleatórias é completamente suficiente para produzir as intricadas estruturas “como-que-projetadas” encontradas nos organismos vivos.

Em contraste, o DI sustenta que há aspectos reveladores dos sistemas vivos e do universo que são melhor explicados por uma inteligência projetista. A teoria não desafia a ideia da evolução definida como mudança com o passar do tempo, ou mesmo ancestralidade comum, mas questiona a ideia de Darwin de que a causa da mudança biológica é completamente cega e não dirigida.

Quais sinais de inteligência os defensores do DI veem?

Nos anos recentes, biólogos descobriram um mundo primoroso de nanotecnologia dentro das células vivas – circuitos complexos, grampos deslizantes, turbinas de geração de energia e máquinas em miniatura. Por exemplo, células bacteriológicas são propelidas por engenhos rotatórios chamados de motores flagelares, que giram a 100.000 rpm. Estes motores parecem ter sido projetados por engenheiros, com muitas partes mecânicas distintas (feitas de proteínas), incluindo rotores, estatores, juntas tóricas (juntas em forma de anel), buchas, juntas universais e juntas homocinéticas.

O bioquímico Michael Behe aponta que o motor flagelar depende da função coordenada de 30 partes (proteínas). Remova um destas partes, e o motor rotatório não funcionará. O motor é, nas palavras de Behe, “irredutivelmente complexo”.

Isso cria um problema para o mecanismo darwiniano. A seleção natural preserva ou “seleciona” vantagens funcionais à medida que surgem por mutação aleatória. O motor flagelar não funciona a menos que todas as suas 30 partes estejam presentes. Desta maneira, a seleção natural pode “selecionar” o motor uma vez que ele surja funcionando por completo, mas não pode produzir o motor de um modo darwiniano passo a passo.

A seleção natural apropriadamente constrói sistemas complexos a partir de estruturas mais simples preservando uma série de intermediários, cada qual devendo desempenhar alguma função. No caso do motor flagelar, estruturas intermediárias não desempenham função para que a seleção as preserve. Isto deixa a origem do motor flagelar inexplicada pelo mecanismo (seleção natural) que Darwin propôs para substituir a hipótese de projeto.

Há uma explicação melhor? Baseados em nossa uniforme experiência, sabemos de apenas um tipo de causa que produz sistemas irredutivelmente complexos: inteligência. Sempre que encontramos sistemas complexos – sejam circuitos integrados ou motores de combustão interna – e sabemos como surgiram, invariavelmente uma inteligência projetista desempenhou algum papel ali.

Considere um argumento ainda mais fundamental para o design (projeto). Em 1953, quando Watson e Crick elucidaram a estrutura da molécula de DNA, eles fizeram uma descoberta surpreendente. Cadeias de substâncias químicas precisamente sequenciadas chamadas nucleotídeos, no DNA, armazenam e transmitem as instruções de montagem – a informação – num código digital de quatro caracteres para a construção de moléculas de proteínas das quais a célula necessita para sobreviver. Crick então desenvolveu sua “hipótese da sequência”, na qual as bases químicas no DNA funcionam como letras numa linguagem escrita de símbolos em um código de computador. Como Dawkins notou, “o código de máquina dos genes é sinistramente semelhante ao dos computadores”.

Os aspectos informacionais da célula ao menos aparentam ter sido projetados. No entanto, nenhuma teoria de evolução química não dirigida explicou a origem da informação digital necessária à construção da primeira célula. Por quê? Há simplesmente muita informação na célula a ser explicada somente por eventualidade.

A informação no DNA (e no RNA) também tem desafiado a explicação através de forças de necessidade química. Em outras palavras, seria como dizer que um título de um texto surgiu como resultado da atração química entre a tinta e o papel. Claramente, algo mais participa desse processo.

O DNA funciona como um programa de computador. Sabemos, a partir da experiência, que programas vêm de programadores. Sabemos que informação – seja, digamos, hieróglifos ou sinais de rádio – sempre surge de uma fonte inteligente. Como o pioneiro teórico da informação Henry Quastler observou: “informação habitualmente surge de atividade consciente”. Desta forma, a descoberta de informação digital no DNA provê fortes motivos para inferir que uma inteligência agiu como causa em sua origem.

Deste modo, o DI não é baseado em religião, mas em descobertas científicas e em nossa experiência de causa e efeito, a base de todo raciocínio científico sobre o passado. Diferentemente do criacionismo, o DI é uma inferência a partir da informação biológica.

Todavia, o DI pode prover suporte para crenças teístas. Isto, porém, não é motivo para dispensá-lo. Há sim aqueles que confundem a evidência para a teoria com suas possíveis implicações. Muitos astrofísicos inicialmente rejeitaram a Teoria do Big Bang porque ela parecia apontar para a necessidade de uma causa transcendente para a matéria, espaço e tempo. A ciência, no entanto, acabou aceitando-a porque a evidência a suporta firmemente.

Hoje um preconceito semelhante confronta o DI. Entretanto, esta nova teoria deve ser também avaliada com base na evidência, não em preferências filosóficas. Como o professor Flew advertiu: “Devemos seguir a evidência, aonde quer que ela nos leve”.

Stephen C Meyer editou 'Darwinism, Design and Public Education' (Imprensa da Universidade do Estado de Michigan). Ele tem um PhD em filosofia da ciência pela Universidade de Cambridge e é um associado sênior do Discovery Institute em Seattle.

 
 
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